Está A Sua Mente Pronta Para Chorar? ...

Algumes estórias do livro "Está A Sua Mente Pronta Para Chorar? Está O Seu Coração Pronto Para Sorrir? - Parte I" de Sri Chinmoy


O Escultor


Era uma vez um homem muito rico e muito generoso, que tinha muitos amigos e admiradores. Quando ele faleceu, todos ficaram tristes e desconsolados. Então, alguns de seus amigos quiseram fazer uma estátua dele, a fim de perpetuar sua memória.

Infelizmente, todos tinham opiniões diferentes sobre quem deveria fazer a estátua. Uma pessoa dizia que tal escultor era o melhor. Outra indicava outro escultor, dizendo que aquele era o melhor. E assim os meses se passaram em discussão. Por fim decidiram fazer uma votação. Então um dos escultores ficou em primeiro lugar. E todos foram visitá-lo e disseram: “Nós achamos que você é o melhor. Por favor, faça para nós uma estátua do nosso amigo.

O escultor falou: “Ele era um homem muito bondoso e grandioso. Não era somente rico, mas também bondoso e grandioso, e me sinto muito honrado que tal pedido tenha sido feito a mim. Se desejarem, começarei imediatamente.”

E eles indagaram: “Quanto você cobrará?”

“Cobrarei mil dólares”, disse o escultor.

E a reação foi: “Mil dólares? Mil! É muito! Encontraremos outra pessoa. Existem muitos outros bons escultores.”

Uma pessoa se pronunciou: “Vamos procurar por um certo escultor, que é jovem e está iniciando sua carreira. Pode não ser muito conhecido, mas lhes digo que ele fará um trabalho muito melhor do que esse senhor. Por ser jovem, ninguém o conhece. Mas chegará o dia em que ele se tornará muito bem conhecido e famoso.”

Todos concordaram em visitar o jovem escultor. Este ficou bastante feliz, animado e contente por receber tal serviço. Perguntaram a ele: “De quanto tempo precisará?”

Ele respondeu: “Levará bastante tempo. No mínimo seis meses.”

“Não se preocupe,” disseram eles, “Apenas faça um bom trabalho. Não se preocupe com o preço. Seremos capazes de satisfazê-lo.”

Seis meses depois os amigos retornaram e gostaram bastante da estátua. Então inquiriram: “Quanto você quer por ela?”

O jovem respondeu: “Dois mil dólares.”

E houve a exclamação: “O quê!? Dois mil? Como ousa pedir dois mil quando aquele senhor tão famoso pediu apenas mil?”

A resposta foi: “Isso é da conta dele. Ele pode pedir o quanto quiser. Ele é meu professor e eu me curvo a ele em todos os assuntos artísticos, mas não lhe pergunto sobre o preço. Neste quesito tomo a minha própria decisão. Peço o quanto acho que seja justo. Portanto, vocês precisam me pagar dois mil dólares. Senão, não entregarei a escultura.”

“Tudo bem, o que podemos fazer?”, disseram eles, “Precisamos nos render. A escultura que fez nos agrada muito; é muito bela. Mas, antes de pagarmos os dois mil dólares, iremos perguntar ao seu professor quanto o seu trabalho vale.”

Quando perguntaram ao professor quanto merecia o jovem escultor, o professor disse: “Quanto ele pediu?”

“Dois mil dólares”, responderam.

O senhor escultor disse: “Ele está certo, está certo.”

“Como pode estar certo?”, exclamaram, “Você é muito melhor do que ele. Você é um grande escultor, muito habilidoso, e pediu mil dólares. Mas ele pediu dois mil. Como pode dizer que ele está certo?”

Ele respondeu: “Se eu tivesse feito, teria terminado em três meses ou até menos. Mas ele levou seis. Não merece ele ser pago pelos três meses adicionais em que trabalhou na estátua? Se fosse eu, teria levado três meses e o preço seria mil dólares. Já ele precisou de seis meses, pois não é habilidoso como eu. Ele lhes disse que levaria tempo. E fez um bom trabalho. Então vocês devem pagar por três meses adicionais de trabalho. Portanto, ele merece os dois mil dólares.”



A Assinatura do Ladrão


Era uma vez dois reis, os quais eram muito bons amigos. Eles costumavam ajudar um ao outro todo o tempo. Num dia, um dos reis precisou de uma grande soma em dinheiro. Então fez um pedido ao seu amigo, o qual consentiu imediatamente. E o primeiro disse: “Estarei enviando meu ministro a você. Entregue o dinheiro a ele.”

O outro respondeu: “Certamente o farei.”

Assim o primeiro rei enviou o seu ministro e três ou quatro guarda-costas. Mas no reino dele havia um ladrão que tinha por hábito roubar dinheiro todas as noites. Ele era um verdadeiro ladino, e no entanto ninguém conseguia capturá-lo. Já havia roubado muito dinheiro, e com esse dinheiro pôde subornar alguns oficiais no palácio, para que lhe enviassem notícias sobre o que acontecia. Com a ajuda deles ele esperava um dia poder entrar no palácio e então roubar tudo.

O ladrão soube através dos seus amigos no palácio que o ministro receberia do outro rei uma grande quantia de dinheiro. Naquela noite, enquanto o ministro e os guardas saíam do palácio, o ladrão e três de seus amigos os cercaram de surpresa. Então ele disse: “Dê-nos as suas roupas. Eu trouxe outras para vocês. Eu vestirei a roupa do ministro e meus amigos vestirão a dos guardas.” Então os forçou a entregarem as roupas.

O ladrão não sabia ler nem escrever. Mas era muito esperto; muitos dias antes, ele havia pedido a um grande estudioso que o ensinasse a escrever o nome do ministro.

O estudioso perguntou: “E por que você precisa saber como escrever o nome do ministro?”

E o ladrão respondeu: “Tenho um motivo especial.”

Então disse o estudioso: “Eu não ensinarei a você como assinar o nome do ministro.”

“Você tem de me ensinar, senão eu o matarei!” Esta foi a resposta do ladrão.

O estudioso ficou assustado e disse: “Tudo bem, não me mate; ensinarei a você como assinar o nome dele.” O ladrão queria saber assinar o nome do ministro caso o outro rei pedisse a assinatura em um recibo. Ele sabia que conseguiria as roupas do ministro, e também queria saber assinar o nome.

Depois de trocar de roupas, o ladrão e seus três seguidores foram até o palácio do rei vizinho e conseguiram o dinheiro. Era muito, muito dinheiro. Mas o ladrão queria mostrar que sabia assinar o nome do ministro, e portanto disse: “Você não precisa da minha assinatura?”

O rei respondeu: “Oh, não, o seu rei e eu somos ótimos amigos. Eu não preciso da assinatura.”

“Ainda assim, é bom ter a assinatura”, disse o ladrão.

“Tudo bem,” respondeu o rei, “Se você quer assinar, assine. Mas eu não necessito dela.” E o falso ministro assinou: “Junga, o ladrão”.

O rei teve um choque. Pensou consigo: “Ó Deus, como pode ter acontecido?” Então pediu para o ministro e para os guardas esperarem um pouco. Em seguida enviou seus próprios guardas ao outro rei.

Quando chegaram, os guardas disseram ao rei: “Sabemos que Junga é o pior ladrão do seu reino. Como pode o seu ministro ter assinado o nome de Junga? O nosso rei quer saber por que você está fazendo graça dele quando ele oferece a você tanto dinheiro.”

O ministro verdadeiro já tinha retornado ao palácio, junto dos três guardas e disse ao seu rei que havia sido forçado a trocar de roupas. Imediatamente o rei enviou a mensagem ao seu amigo. Então Junga foi por ele mandado preso, e enviado ao primeiro rei. E o rei levou pessoamente o dinheiro.

O ladrão pode ser pego porque o estudioso foi muito inteligente. Como Junga não sabia ler nem escrever, o estudioso o ensinou a escrever o nome do próprio ladrão, dizendo que era o nome do ministro.



O Médico E Seu Assistente


Havia um médico de vilarejos de quem todos gostavam, pois ele sempre era capaz de curar seus pacientes. Ele era muito esperto e também sabia tudo sobre medicina.

Certo dia um jovem veio até ele e disse que gostaria de ser seu assistente. O médico respondeu: “Não, não, não. Não acho que você seja suficientemente esperto.”

E o rapaz falou: “Eu serei capaz de agradá-lo. Deixe que eu aprenda com você.”

Por fim o médico concordou, e logo o jovem homem começou a aprender como utilizar os remédios. Após dois anos ele começou a implorar ao médico que permitisse que fosse junto nas visitas aos pacientes. O médico disse: “Tudo bem. Já que esteve comigo por dois anos, hoje você os visitará comigo.”

Então foram ver um paciente. O médico tomou o pulso dele e disse: “Vejo que sua febre está alta.”

E respondeu o paciente: “Sim, eu sei que ela está alta.”

O médico perguntou: “Você sabe por quê? É porque você andou comendo docinhos.”

“Docinhos!” exclamou o paciente.

“É,” disse o doutor. “Vejo que comeu alguns docinhos.”

O paciente confessou: “É verdade.”

O médico disse: “Eu sei, eu sei. Quando sinto o pulso, ele me mostra imediatamente.”

O paciente confessou que havia comido docinhos. O médico disse que não comesse mais docinhos até que estivesse totalmente curado e sua febre baixado.

Enquanto retornavam ele e seu ajudante, este estava assombrado por ver como o médico sabia que alguém havia comido docinhos apenas sentindo o pulso. “Como é que você fez? Como soube?” Ele perguntou.

E o médico respondeu: “Seu tolo, eu vi algumas embalagens de doces perto da porta. Então pensei comigo: 'Quem mais os teria comido?' Imediatamente confrontei o homem e ele confessou. Senão, como poderia saber se alguém comeu docinhos apenas sentindo o pulso? Mas não vá fazer esse tipo de coisas. Se o fizer, arranjará problemas.”

O doutor era um médico esperto, mas também sincero. Ele contou ao assistente o que tinha feito. Alguns dias depois, quando o médico deveria ver outro paciente, ele mesmo ficou doente. Já tinha alguma fé no seu ajudante, e portanto disse a ele: “Hoje estou muito mal. Veja como está aquele paciente. Mas seja muito cuidadoso, pois é a sua primeira visita.”

“Certamente serei cuidadoso,” disse o assistente. “Quando eu retornar, você ficará muito orgulhoso de mim. Pode ficar certo de que farei tudo direito, e você receberá boas notícias minhas. O paciente dirá coisas boas sobre mim.”

Quando chegou na casa do paciente, o assistente viu que ele estava com febre alta. Então disse: “Eu sei porque você está com febre. Estou certo de que andou comendo mangas.” O paciente retornou: “Não, não comi.”

E o assistente explicou: “O seu pulso me diz que sim.”

“O meu pulso lhe diz?” disse o paciente. “Aquelas mangas são para a minha esposa e meus filhos. Eles comem mangas. Eu estou com febre alta; como poderia comer mangas?”

O ajudante insistiu: “Seu pulso me diz que você comeu quatro mangas hoje pela manhã. É por isso que sua febre está tão alta.”

O homem ficou tão furioso que pediu a seus filhos e empregados que dessem uma surra no assistente. Ficou furioso com o médico de verdade, por este ter enviado um péssimo assistente, e mandou um de seus empregados ofender o médico.

Depois, o ajudante retornou ao médico. Estava tão machucado que disse: “Não, não serei um médico. É uma profissão perigosa demais.”

O verdadeiro médico ficou muito feliz por não ter mais de lidar com aquele tolo-assistente.



O Rei E Os Três Ladrões


Num certo reino haviam três ladrões. Esses três ladrões costumavam roubar muito. O rei estava bastante triste por não conseguir nunca fazer algo para puni-los. Seus ministros tentaram de vários modos prendê-los - e no entanto sempre fracassaram. O rei era fisicamente bem forte e poderoso. “Terei de pegá-los de algum modo”, ele pensou.

Assim, todas as noites ele saía de seu palácio disfarçado, usando roupas simples como aquelas que um ladrão usa, e então procurava pelos culpados. O procedimento era visitar as casas de seus amigos, mas muito sorrateiro, como faria um ladrão. Também pediu para seus amigos que nunca revelassem a ninguém o que ele estava fazendo.

Certa noite, o rei, fingindo que era um ladrão, de fato viu os três ladrões que procurava, perto da casa que fingia estar roubando. Então saltou diante deles e disse: “Vocês são ladrões. Deixem que eu me una a vocês. Eu serei o quarto integrante.”

Eles disseram: “Quem precisa de você? Nós é que não.”

E respondeu o rei: “Não precisam de mim? Mas é bom ter um a mais. E eu lhes digo, sempre os agradarei. Sou um grande ladrão como vocês, e de vocês muito ouvi falar. Agora gostaria de me tornar parte de seu grupo.”

“Que tipo de capacidade especial você tem?” Perguntaram eles.

“Oh, eu não tenho nenhuma capacidade especial,” disse o rei, “Mas posso saber que capacidades especiais vocês tem?”

Um deles disse: “Posso destrancar qualquer porta num piscar de olhos. Isso eu posso fazer.”

“Eu sei onde a riqueza está. Ele pode abrir qualquer porta, mas eu posso dizer facilmente em que aposento ou lugar está a riqueza,” disse outro.

E o terceiro explicou: “Eu lembro das pessoas. Uma vez que tenha visto alguém, sempre poderei reconhecer aquela pessoa mesmo que o rosto ou o corpo tenha mudado. Mesmo se tudo mudar, ainda consigo reconhecer a pessoa. Eu tenho essa capacidade de retenção.”

Então pergutaram ao rei: “Agora você deve dizer que tipo de capacidade tem. Se não tiver capacidade alguma, por que deveríamos aceitá-lo em nosso grupo?”

Esta foi a resposta: “Eu possuo um anel. Se eu pressioná-lo, posso matar alguém de imediato. E se erguer a minha mão, poderei imediatamente salvar alguém.”

“Puxa, você tem tal capacidade!”, disseram, “Então ficaremos com você.”

O rei disse: “Hoje iremos ao palácio do rei. Não há porque temer. Nós temos um rei tolo. Já que vocês têm a capacidade de abrir portas e saber onde está a riqueza, hoje iremos ao palácio roubar do rei.”

Os três ladrões concordaram: “Essa é uma ótima idéia, uma ótima idéia.”

Então, disfarçado, o rei os levou até o palácio. O sujeito que sabia abrir a porta a abriu. O que sabia onde encontrar a riqueza a achou. Imediatamente, o rei chamou os guardas e os ladrões foram presos.

Na manhã seguinte o ministro os trouxe diante do rei. O rei disse aos ladrões: “Eu fiz essa encenação e os peguei. Agora vocês serão executados. Ontem eu lhes disse que se pressionasse este anel, qualquer um que eu desejasse morto, morreria. E logo pressionarei meu anel. Vocês serão executados.”

Os três começaram a chorar e chorar. Agora haviam percebido que ele era o rei e que os descobrira. Disseram: “Você nos contou que possuía outra capacidade também. Disse que se erguesse a mão poderia salvar quem quisesse. Não nos mostraria também essa capacidade? Não levantaria sua mão e nos salvaria?”

Então o rei ergueu a mão e disse: “Tudo bem, eu os salvarei. Mas vocês têm de fazer um juramento de que nunca mais roubarão. Melhor ainda, darei a vocês um emprego aqui no palácio. Assim estarão sempre sobre supervisão e não poderão roubar.”



O Conselho do Yogi


Era uma vez um rei que estava muito infeliz, pois não conseguia conquistar o rei vizinho. Ele e o outro rei eram amigos, mas ao mesmo tempo rivais. Quando a mesquinhez, inveja e ego vinham à tona, o primeiro rei desejava conquistar seu assim chamado amigo e fazer dele seu subordinado. De muitas maneiras procurou aumentar seu exército e seu poder militar. Mas mesmo assim ele ainda não poderia se comparar ao seu rival-amigo. Por fim disse: “Já que o poder físico, o poder militar, não está dando certo, tentarei o poder espiritual.”

Então encontrou-se com um Yogi e disse: “Por favor, por favor me ajude. Darei a você tudo o que eu tenho. Todo o meu poder-dinheiro, tudo, entregarei a você; tocarei os seus pés; sentarei-me e lavarei os seus pés todos os dias. Apenas me diga como posso conquistar o outro rei.”

O Yogi disse: “É fácil. Basta conquistar a sua ira. Se superar a sua raiva, facilmente conquistará o outro rei.”

O rei seguiu o conselho do Yogi. Não importando o que fizessem ou dissessem as outras pessoas, ele não tinha raiva. Ele praticou até que não mais houvesse ira em sua vida. Após seis meses ele estava muito feliz. Retornou ao sábio e disse: “Tendo conquistado a ira, não serei eu capaz de conquistar aquele rei?” O sábio respondeu: “Espere mais alguns meses. Por mais três meses mantenha-se controlado. Não fique com raiva de ninguém.”

“Tudo bem, por mais três meses eu o farei.”

Passados três meses o rei retornou. O Yogi então disse: “Desculpe-me, mas está parecendo que você precisará de mais dois meses.”

E respondeu o rei: “Tudo bem. Superei a minha raiva por seis meses e depois por mais três, e portanto posso continuar por mais dois meses.”

Após dois meses o rei estava novamente diante do Yogi. “Espere mais um mês,” disse o Yogi, “Esta vez será a última. Se puder se controlar por mais um mês, eu lhe digo que será capaz de conquistar o rei vizinho.”

No mês seguinte o rei mais uma vez retornou. Estava bastante feliz e deleitado, dizendo: “Agora me diga como posso realmente conquistar meu inimigo. Posso chamá-lo de inimigo pois conquistei a minha ira e estou prestes a lutar contra ele.”

“O que sei eu sobre guerras?” respondeu o Yogi. “O que sei sobre reis, exércitos e batalhas? Nada sei sobre isso. Eu oro a Deus por paz, alegria e amor. Como poderia ser de ajuda àqueles que desejam guerras e lutas? Eu tento salvar pessoas e você tenta matar pessoas. Ao dar nova vida às pessoas, eu fico feliz. Você tenta ficar feliz tirando suas vidas. Eu sou a última pessoa que o ajudaria, pois você quer violência e eu quero paz. Você veio à pessoa errada.”

O rei ficou furioso e quis matar o Yogi. Disse: “Você disse que eu poderia retornar quando tivesse superado minha ira.”

E o Yogi replicou: “Veja, veja! Quem está irado agora, quem está irado? Você superou de fato a sua raiva? Se não pode nem mesmo conquistar a sua raiva, como conquistará o outro rei? Nem a própria ira você conquistou. Como irá conquistar o rei? Não posso ajudá-lo então.”